Sobre a relação entre bárbaros e romanos

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Povos germânicos em uma representação moderna, autor desconhecido.

Tradução feita a partir de artigo publicado no site do MET, o texto original pode ser conferido aqui. Ele foi escrito por Melanie Holcomb, do departamento de Arte Medieval do museu, e publicado em outubro de 2002. O texto não possui bibliografia, mas a autora adicionou uma lista de leituras recomendadas. Essa lista foi colocada abaixo nas referências biliográficas. Várias fotos foram adicionadas para tornar o texto mas ilustrativo, além de subtítulos.

Os rios Reno e Danúbio definiram as fronteiras do Império Romano na Europa continental, separando os cidadãos de Roma dos muitos povos que habitavam a Germânia, o termo romano para a área que se estendia até o norte da Escandinávia e até o leste do rio Vístula.

Os rios citados no parágrafo acima. O Reno e o Danúbio foram os principais demarcadores do império romano no norte, embora em alguns momentos da História os romanos tenham chegado até o Elba.

O Império nunca se isolou dos povos germânicos, que eles chamavam de bárbaros, recrutando-os como soldados para o exército romano e desenvolvendo laços comerciais e diplomáticos com seus líderes.

Serviços como mercenários

Desde a época de Júlio César, bárbaros haviam sido destacados para proteger as fronteiras romanas. A crescente força e alcance das forças armadas nos séculos posteriores do império exigiram a incorporação de um número cada vez maior de unidades bárbaras - conhecidas como foederati - no exército.

No século 4, cerca de 75 mil soldados estavam estacionados na província romana da Gália (França moderna), e a maioria deles eram germânicos. Muitos desses bárbaros retornariam com o tempo para sua terra natal, enquanto outros permaneceriam com suas famílias nos territórios romanos, alguns chegando aos mais altos escalões militares.

Os ritos funerários germânicos, distintos das práticas romanas, incluíam o enterro de armas e equipamento militar; assim, os bens funerários das sepulturas germânicas, dentro e fora das fronteiras do Império, oferecem uma rica evocação do dinheiro, presentes e insígnias militares, frequentemente elaboradamente decoradas, que o pagamento por esse serviço fornecia aos soldados. Eles também dão uma noção dos trajes distintos das mulheres bárbaras.

Reconstituição de um funeral germânico. Ilustração moderna, autor desconhecido.

Relações diplomáticas

O Império desenvolveu laços diplomáticos com os governantes germânicos que ocupavam terras logo além das fronteiras, em um esforço para se proteger de bárbaros hostis ainda mais longe. Promessas de cidadania romana e apoio militar e econômico incentivaram os líderes bárbaros a ajudar seu vizinho rico, principalmente fornecendo tropas.

Esse luxuoso broche foi usado por uma mulher da nobreza germânica às margens do rio Danúbio entre o 4° e 5° século. Eram usados em pares nos ombros para segurar as vestes. A maioria dos broches da época eram feitos de folha de prata sem adornos, mas esse é um exemplar de ouro especialmente luxuoso. MET N° 47.100.19

Tais acordos permitiram que bárbaros de alto status acumulassem grande riqueza, na forma de presentes de jóias do império e pagamentos em moedas de ouro. Estes, por sua vez, podiam ser usados ​​para encomendar objetos de luxo de adorno pessoal com artistas locais.

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Fontes bibiliográficas:

Brown, Katherine Reynolds, Dafydd Kidd, and Charles T. Little, eds. From Attila to Charlemagne: Arts of the Early Medieval Period in The Metropolitan Museum of Art. New York: Metropolitan Museum of Art, 2000.
Geary, Patrick J. Before France and Germany: The Creation and Transformation of the Merovingian World. New York: Oxford University Press, 1988.
Nees, Lawrence. Early Medieval Art. New York: Oxford University Press, 2002.

Artigo publicado em 24/10/2019.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Postado por

Moacir Führ

Moacir tem 32 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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