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Quem foi Eduardo, o Príncipe Negro?

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Capa do artigo: Quem foi Eduardo, o Príncipe Negro?

Eduardo, o Príncipe Negro. Escultura do artista David Lane, site Putty and paint. Baseada na efígie presente no túmulo do príncipe na Catedral de Canterbury.

Eduardo de Woodstock (1330-1376), mais conhecido como o Príncipe Negro, era o filho mais velho de Eduardo III da Inglaterra (r. 1327-1377). Ele se tornou Príncipe de Gales em 1343 - aos 13 anos - e lutou com distinção nas duas grandes vitórias da Inglaterra contra os franceses durante a primeira fase da Guerra dos Cem Anos: Crécy em 1346 e Poitiers em 1356 quando ele capturou o rei da França.

Outra vitória famosa viria em Najera, na Espanha, em 1367. Mas a doença abateu o príncipe antes que ele pudesse ser coroado o grande rei que todos esperavam que ele se tornaria. Eduardo morreu, provavelmente de disenteria, em 8 de junho de 1376. Ele foi enterrado na Catedral de Canterbury, onde sua efígie, elmo preto original e escudo ainda estão em exibição.

O elmo, a camisa, as luvas e o escudo do Príncipe Negro, em exibição na Catedral de Canterbury ao lado de seu túmulo.

Juventude e Títulos

Eduardo nasceu em 15 de junho de 1330 em Woodstock, perto de Oxford. Era o filho mais velho do rei Eduardo III e de Filipa de Hainault. O príncipe recebeu sua primeira armadura com apenas sete anos e com o tempo se tornou um dos maiores guerreiros que a Inglaterra já produziu. Por volta da mesma época, em março de 1337, o rei Eduardo concedeu ao filho o recém-criado Ducado da Cornualha. O título de duque da Cornualha veio se somar ao seu outro título, de conde de Chester. Em 1343, Eduardo também foi nomeado Príncipe de Gales.

Quanto ao seu outro nome mais famoso, não foi até o século 16 (muitos séculos após sua morte) que Eduardo passou a ser conhecido como o 'Príncipe Negro', muito provavelmente por causa de sua armadura negra e / ou devido a cor do seu escudo de justa. Seu elmo de torneio pendurado acima de sua tumba é preto com um grande leão (ou leopardo) em cima dele.

Objetos que pertenciam ao Príncipe Negro, atualmente em exposição na Catedral de Canterbury.

Seu apelido, entretanto, pode ter sido dado a ele pelos franceses devido a terrível estratégia de terra arrasada que ele repetidamente usou contra eles. Outro dos emblemas do Príncipe Negro eram três penas de avestruz brancas colocadas contra um fundo preto, e ainda hoje, as penas de avestruz são usadas como o símbolo do Príncipe de Gales.

O brasão do Príncipe de Gales ainda hoje é baseado no brasão que foi adotado pelo Príncipe Negro após a batalha de Crécy em 1346.

Eduardo era uma figura alta e impressionante e se casou com sua prima Joana, a condessa de Kent, em 1361 no Castelo de Windsor. Joana já havia se casado antes, mas há evidências de que os dois estavam realmente apaixonados, algo incomum em casamentos reais medievais, que eram realizados apenas para cimentar alianças políticas. O casal iria dois filhos: Eduardo (que morreu ainda criança) e Ricardo, que nasceu em 1367, e que iria se tornar o futuro rei da Inglaterra.

O Príncipe Negro demonstrou grande devoção a religião ao longo de sua vida, contribuindo generosamente para a Catedral de Canterbury e fazendo peregrinações a Walsingham e Canterbury antes de suas famosas batalhas na França. Ele também tinha a Santíssima Trindade em grande reverência, como pode ser visto pelo brasão funerário abaixo.

Distintivo funerário do Príncipe Negro. Museu Britânico. N° OA.100Distintivo funerário de estanho e chumbo. O Príncipe Negro adorando a Trindade dentro do brasão da Ordem da Jarreteira. No céu um anjo segura o escudo do Príncipe. Na sua direita um outro anjo segura o seu elmo.


A Guerra dos Cem Anos

O rei inglês Eduardo III desejava expandir suas terras na França e ele teve a desculpa perfeita quando, em 1328, o último rei francês da Dinastia Capetíngia morreu sem deixar herdeiros. O rei da Inglaterra era parente do rei francês atráves de sua mãe, Isabel da França, e isso lhe dava o direito de reinvidicar a coroa. Os franceses, no entanto, colocaram no trono o primo do rei morto, Filipe VI (r. 1328-1350), que não estava disposto a renunciar, e isso levou ao início da Guerra dos Cem Anos. Na verdade, esse é o nome dado no século 19 para um conflito que foi intermitentemente por mais de um século, e que acabou somente em 1453.

Pouco antes das grandes batalhas da guerra, o Príncipe Eduardo foi nomeado cavaleiro por seu pai em 12 de julho de 1346, juntamente com vários outros jovens cavaleiros.

A batalha de Crécy (1346)

No início da guerra, o Príncipe Negro foi encarregado de incendiar o máximo de cidades e vilas francesas que pudesse até 1346. Essa estratégia, conhecida como chevauchée, era uma parte comum da guerra medieval e tinha sido usada pelo menos desde 1066 por Guilherme, o Conquistador. Os objetivos da estratégia eram múltiplos: espalhar o terror na população local, fornecer comida de graça para um exército invasor, adquirir despojos e resgate para prisioneiros nobres e garantir que a base econômica do oponente fosse gravemente enfraquecida, tornando extremamente difícil para ele reunir um grande exército.

Eduardo, o Príncipe Negro. Escultura do artista David Lane, site Putty and paint. Baseada na escultura presente no túmulo do príncipe na Catedral de Canterbury.

Inevitavelmente, as tropas comuns também aproveitaram a oportunidade para causar confusão geral e saquear o que pudessem nos ataques. Essa era uma forma brutal de guerra econômica e, talvez, também tenha sido planejada para provocar o rei Filipe e levá-lo a buscar uma batalha campal para enfrentar o exército invasor, que foi exatamente o que acabou acontecendo.

Em agosto de 1346, os dois exércitos se encontraram e Eduardo, então com apenas 16 anos, liderou a ala direita do exército inglês ao lado de Sir Godfrey Harcourt. O príncipe lutou com desenvoltura, mas houve um momento de grande perigo em que os franceses pareciam prestes a dominar as tropas do príncipe.

Sir Godfrey pediu reforços, mas, de acordo com o cronista medieval Jean Froissart (c.1337-1405), escrevendo em suas Crônicas, ao ouvir sobre a situação de seu filho, o rei Eduardo meramente declarou que se seu filho fosse capaz de sobreviver a tais dificuldades, ele ganharia suas esporas naquele dia. As esporas eram uma marca do cavaleiro e presumivelmente seriam concedidas a Eduardo em uma cerimônia completa quando ele voltasse para casa.

A batalha de Crécy (1346) retratada nas Crônicas de Jean Froissart, uma famosa obra sobre a Guerra dos Cem Anos que cobre o período que vai de 1322-1400.

No final, o exército de Eduardo III superou sua desvantagem numérica (cerca de 12 mil x 25 mil), assumindo uma posição defensiva em uma colina com vista para o rio Maie. As tropas francesas ficaram confusas quando uma carga foi ordenada e depois retirada, e os arqueiros galeses e ingleses se mostraram mais devastadores do que nunca.

O exército do rei Eduardo também se beneficiou de sua experiência de batalha e disciplina adquirida lutando na Escócia e no País de Gales e com a ênfase do rei nas tropas móveis leves, sem mencionar o primeiro uso de canhões em solo francês. O rei Eduardo venceu a batalha com cerca de 300 baixas em comparação com os 14 mil franceses mortos. O massacre aconteceu porque os franceses lutaram até o fim.

A flor da nobreza da França e de seus aliados foi eliminada, incluindo o rei João da Boêmia (r. 1310-1346), o conde de Blois e o conde de Flandres. Foi depois dessa batalha que, pelo menos segundo a lenda, o Príncipe Eduardo teria adotado o emblema e o lema do rei caído da Boêmia - as penas de avestruz mencionadas acima e Ich Dien ou "Eu sirvo".

Brasão do Príncipe Negro. Só foi adotado após a batalha de Crécy em 1346, quando Eduardo passou a usar o símbolo do rei João da Boêmia, que foi morto lutando ao lado dos franceses.

Os sucessos ingleses continuaram quando Eduardo III e o Príncipe Negro, apoiados por um exército de cerca de 26 mil homens, garantiram que Calais fosse capturada em 1347, após um cerco de um ano. Três anos depois, em 1350, o Príncipe Negro e uma unidade seleta de cavaleiros estiveram envolvidos na defesa bem-sucedida da cidade contra um ataque francês que contava com mercenários italianos. A reputação do Príncipe Negro como um grande cavaleiro medieval já estava garantida, mas sua estrela iria subir ainda mais.

Cavalaria e a Jarreteria

O Príncipe Negro parece ter gostado da pompa e da cerimônia dos torneios medievais tanto quanto seu pai, e ele participou do grande torneio de 15 dias de 1344 no Castelo de Windsor. O príncipe também foi um membro fundador do novo e exclusivo clube de cavaleiros de seu pai e epítome da cavalaria medieval, a Ordem da Jarreteira (c. 1348).

Até hoje a Ordem de Jarreteria é a ordem militar de cavalaria mais importante na Inglaterra. Nessa foto o Príncipe Charles e seu filho William acompanham a rainha da Inglaterra em desfile da Ordem que acontece anualmente no castelo de Windsor.

Esta ordem, a mais antiga e mais prestigiada da Inglaterra, foi criada com apenas 24 cavaleiros selecionados, mais o rei e o Príncipe Negro. Todos os seus primeiros membros lutaram na Batalha de Crécy; estes eram homens de valor, não apenas de posição. O símbolo desta ordem é uma liga/cinto (então usada na parte superior do braço ou perna sobre a armadura) e seu lema é Honi soit, qui mal y pense ou "O mal está sobre quem pensa", provavelmente uma referência a quem duvidava do direito do rei de governar a França. Não é por acaso que a liga também tinha as cores reais da França - ouro e azul.

A batalha de Poitiers (1356)

Um novo rei, João II da França (r. 1350-1364), continuou a guerra com a Inglaterra, mas cometeu os mesmos erros de seu predecessor no campo de batalha. Em 1355-1356, o Príncipe Negro invadiu a Gasconha e capturou Bordéus, que depois disso foi usada como base para novos ataques. A região era uma das principais contribuintes para os cofres do rei francês, e por isso Eduardo incendiou sistematicamente cidades e fazendas como fizera antes de Crécy.

Mais uma vez, um rei francês imprudente foi provocado a lutar uma batalha campal. Por acaso, um exército francês, que tinha o objetivo de impedir que os exércitos ingleses no sudeste se unissem aos da Normandia, surpreendeu as forças do Príncipe em setembro de 1356. No dia seguinte, uma poderosa batalha ocorreu a 6,4 km de Poitiers em um terreno de vinhedos, bosques e pântanos.

A batalha de Poitiers (1356) retratada nas Crônicas de Jean Froissart, uma famosa obra sobre a Guerra dos Cem Anos que cobre o período que vai de 1322-1400.

Mais uma vez, os franceses superavam em número seus oponentes (35 mil contra 7 mil) e novamente a liderança confusa e uma dependência desatualizada da cavalaria pesada e das bestas anulou sua vantagem. Mais uma vez, os franceses não conseguiram encontrar uma resposta para o alcance, a força e a precisão do arco longo inglês.

Cerca de 2 mil cavaleiros franceses, incluindo o próprio rei João, foram capturados, proporcionando um enorme potencial para resgates em dinheiro. O Príncipe Negro ganhou ainda mais distinção por seu tratamento cavalheiresco a seu prisioneiro real, que foi escoltado por Eduardo para a Inglaterra, onde ele teve que esperar quatro longos anos por sua libertação. O príncipe também ganhou fama de generosidade entre seus próprios seguidores leais, uma das principais qualidades de um nobre cavaleiro, ao distribuir ouro e títulos a seus comandantes, bem como doar generosamente a igrejas como a Catedral de Canterbury.

A Catedral de Canterbury, ao sul da Inglaterra, começou a ser construída no século 11 e é uma das mais importantes catedrais do Reino Unido.

O rei Eduardo III foi então audacioso o suficiente para marchar sobre Rheims em 1359, local onde seus monarcas eram tradicionalmente coroados, com a intenção de se tornar rei dos franceses. O rei e o Príncipe Negro lideraram o exército e marcharam sobre a cidade, mas Rheims se mostrou inexpugnável e o inverno rigoroso causou tantos danos ao exército de Eduardo III que ele foi obrigado a iniciar negociações de paz. Em maio de 1360, o Tratado de Brétigny foi assinado entre a Inglaterra e a França estabelecendo a paz.

O domínio inglês no continente na década de 1360. A área vermelha era controlada por Eduardo III e a área amarela era dos reis Valois franceses. Em destaque o local das duas principais batalhas da primeira fase da guerra: Crécy e Poitiers.

Em 1362, o Príncipe Negro foi nomeado Príncipe da Aquitânia por seu pai. A guerra com a França, porém, estava prestes a piorar quando Eduardo III enfrentou seu terceiro rei francês: Carlos V, também conhecido como Carlos, o Sábio (r. 1364-1380), que provou ser de longe o mais capaz do trio. Carlos começou a recuperar o que seus predecessores haviam perdido, evitando grandes batalhas abertas e se concentrando em assediar as tropas inglesas, contando com a segurança de seus castelos quando necessário. O rei inglês também estava sofria por ter que pagar por essas guerras extremamente caras.

Na Espanha: Batalha de Najera (1367)

Durante a paz que se seguiu ao Tratado de Brétigny, o Príncipe Negro dirigiu suas paixões marciais para a Espanha. Em 1367 uma luta pelo trono de Castela entre Pedro I e Henrique II acabou levando a intervenção da França e da Inglaterra, então a Espanha se tornou um novo palco de luta para que as rivalidades prosseguissem.

A batalha de Najera (1367) retratada nas Crônicas de Jean Froissart, uma famosa obra sobre a Guerra dos Cem Anos que cobre o período que vai de 1322-1400. Os ingleses estão do lado esquerdo, do lado direito aparece a bandeira de Castelo (dois leões e dois castelos).

Em abril de 1367, o Príncipe Negro liderou um exército combinado de gascões e ingleses para a vitória na Batalha de Nájera, mais uma vez empregando o arco longo e a infantaria ligeira. O príncipe se concentrou no flanco esquerdo de seus inimigos e, no pânico que se seguiu, os franceses foram empurrados de volta para o rio Najerilla por uma carga final de cavalaria.

Após a batalha, ele ainda conseguiu capturar e vender por um resgate massivo um de seus rivais pelo título de maior cavaleiro de todos os tempos, Bertrand du Guesclin, a "Águia da Bretanha" (c. 1320-1380).

Estátua de Bertrand du Guesclin em Broons, sua cidade natal na Bretanha, no norte da França. A estátua foi produzida recentemente pela prefeitura da cidade.

Mesmo com a vitória, a campanha na Espanha acabou trazendo muitos problemas. O rei Pedro I mostrou-se relutante ou simplesmente incapaz de pagar a Eduardo e seu exército por seus problemas, e tudo o que o Príncipe Negro conseguiu foram problemas de saúde - talvez malária ou edema (hidropisia) - que o atormentariam pelo resto de sua vida. Eduardo viveria apenas mais nove anos depois essa batalha. Outra conseqüência infeliz foi o descontentamento de seus súditos na Aquitânia, que haviam pago altos impostos para bancar essa aventura.

O Príncipe Negro pelo menos recebeu uma lembrança de Pedro, a pedra que ficou conhecida como o Rubi do Príncipe Negro, na verdade um espinélio, mas considerado por muito tempo um verdadeiro rubi. Esta pedra de formato irregular foi então fixada em várias coroas pertencentes às joias da coroa britânica e hoje tem um lugar de destaque no centro da coroa Imperial britânica (veja abaixo). Apesar das joias e resgates, porém, Najera foi ao mesmo tempo uma brilhante vitória militar e um desastre financeiro para o Príncipe Negro.

A coroa imperial britânica, que permanece sendo usada pela rainha em certas ocasiões oficiais, ainda hoje conta com o rubi recebido pelo Príncipe Negro durante sua campanha na Espanha no final da década de 1360. O rubi é a pedra vermelha bem no centro dessa imagem.

O retorno a França: O massacre de Limoges (1370)

O Príncipe Negro foi chamado à França, onde Carlos V havia voltado à ofensiva e mordiscava as terras dominadas pelos ingleses. Lá o descontentamento com os impostos de Eduardo era muito grande. Em 1370, Limoges foi recapturada pelos ingleses, mas o Príncipe Negro causou danos duradouros à sua reputação, pelo menos na França (onde já era bastante baixa), ordenando a execução de cerca de 3 mil homens, mulheres e crianças, talvez em vingança por seu ex-aliado, o bispo de Limoges, ter trocado de lado. A cidade foi então incendiada.

Eduardo, o Príncipe Negro foi interpretado por James Purefoy no filme Coração de Cavaleiro (2001).

A doença recorrente de Eduardo significava que muitas vezes ele tinha que ser carregado em uma liteira, e sua falta de entusiasmo era um reflexo dos problemas da campanha inglesa. Outras invasões em 1369 e 1373 lideradas pelo irmão mais novo de Eduardo, João de Gante, o duque de Lancaster, também se mostraram decepcionantes, e o Príncipe Negro foi obrigado a retornar à Inglaterra em 1371, pois sua saúde se deteriorou.

Conseqüentemente, Carlos V invadiu a maior parte da Aquitânia em 1372 e, em 1375, as únicas terras que restaram na França pertencentes à Coroa Inglesa eram Calais e uma pequena fatia da Gasconha, um parco retorno por décadas de esforço e despesas.

Morte e sepultamento

O Príncipe Negro tinha 46 anos quando morreu em 8 de junho de 1376, provavelmente de disenteria, deixando uma nação pranteada. A tumba de Eduardo, seguindo seus desejos, fica na Catedral de Canterbury, onde o seu elmo preto, o escudo e as luvas foram originalmente penduradas acima dela.

Efígie do Príncipe Negro em seu túmulo na Catedral de Canterbury.

A efígie de cobre dourado do príncipe mostra-o em armadura completa e usando o brasão de seu pai, que misturava os leões dos Plantagenetas com a flor-de-lis da coroa francesa, símbolo da reivindicação inglesa à França, algo que o príncipe havia feito muito para tornar uma realidade.

O filho do Príncipe Negro, Ricardo, seria selecionado pelo parlamento como herdeiro oficial de Eduardo III, e foi coroado Ricardo II da Inglaterra em 16 de julho de 1377 na Abadia de Westminster. O Príncipe Negro deixou a seu filho e a todos os outros que o seguiriam uma advertência na forma de um poema francês que ele insistiu que fosse inscrito ao redor de seu túmulo em Canterbury:

Tal como você é, um dia eu fui.
Como eu sou, você será.
Pensei pouco na morte
Contanto que eu aproveitasse a vida.
Na terra eu tinha grandes riquezas...
Terras, casas, grande tesouro, cavalos, dinheiro, ouro...
Mas agora sou um pobre cativo,
No fundo da terra eu deito...
Minha grande beleza se foi,
Minha carne está destruída até os ossos...
(citado em Jones, p.524)

Tradução de texto escrito por Mark Cartwright
Janeiro de 2020

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Fontes bibiliográficas:

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Phillips, C. The Complete Illustrated Guide to the Kings & Queens of Britain. Lorenz Books, 2006.
Phillips, C. The Complete Illustrated History of Knights & The Golden Age of Chivalry. Southwater, 2017.
Saul, N. The Oxford Illustrated History of Medieval England. Oxford University Press, 1997.
Wilson, D. The Plantagenet Chronicles 1154-1485. Metro Books, 2020.

Artigo publicado em 02/10/2020.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Postado por

Moacir Führ

Moacir tem 34 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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