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Resumo da Epopéia de Gilgamesh - Parte 2/2

Artigos > Mesopotâmia  |  2 mil visualizações  |  1003 palavras

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Capa do artigo: Resumo da Epopéia de Gilgamesh - Parte 2/2

Estátua encontrada no palácio Assírio do rei Sargão II em Dur-Sharrukin. É normalmente identificada como sendo o herói Gilgamesh sufocando um leão. Museu do Louvre, Paris.

4. A busca da vida eterna

Destruído pela perda de seu amigo e inconformado com a inevitabilidade da morte humana, Gilgamesh definiu como objetivo encontrar Utnapishtin, único humano que havia se juntado aos deuses, acreditando que ele poderia ajudá-lo a escapar da morte.

Gilgamesh correu o mundo em sua busca, matando leões e vestindo suas peles, no caminho. Eventualmente ele chegou a Mashu, as grandes montanhas que guardam o nascer e o pôr do sol. Descendo doze léguas nas profundezas escuras, ele encontrou dois sentinelas escorpiões: criaturas metade homem, metade dragão capazes de matar com o olhar. Cobrindo seus olhos, Gilgamesh anunciou o motivo da sua vinda. Os sentinelas o deixaram passar, por ver que ele era um homem sem igual.

Relevo produzido pelo escultor Neil Dalrymple para o Museu Mythstories, do oeste da Inglaterra. Esse relevo retrata Gilgamesh em frente aos guardiões da montanhas de Mashu, a entrada para o jardim dos deuses.

Depois de 12 léguas de caminhada na escuridão profunda, a luz do sol apareceu. Gilgamesh chegou ao jardim dos deuses, onde arbustos eram carregados de pedras preciosas.

Shamash o viu e o advertiu: ele não iria encontrar o que procurava, a vida eterna não estava a seu alcance. Siduri, deusa do vinho e da cerveja, o viu chegando e, sem conhecê-lo e notando sua expressão sombria, tentou fechar a porta, mas Gilgamesh a impediu e declarou em altos brados os seus muitos feitos.

Siduri respondeu perguntando: se ele realmente era tão extraordinário porque estava com uma aparência tão repugnante? Gilgamesh respondeu contando a sua história e o seu objetivo.

Ela lhe avisou que a imortalidade não estava disponível aos homens, e que ele deveria aproveitar os benefícios da existência humana. Gilgamesh se recusou e ela, então, lhe disse para procurar Urshanabi, o barqueiro de Utnapishtin. Ele possuía os objetos sagrados e, talvez poderia levá-lo pelo oceano intransponível até Utnapishtin.

Gilgamesh destruiu os equipamentos da embarcação em sua fúria, e Urshanabi lhe perguntou porque ele parecia tão abatido, ao que Gilgamesh contou novamente sua história e lhe pediu para levá-lo até Utnapishtin.

Urshanabi e Gilgamesh atravessando o Oceano. Ilustração de autor desconhecido.

Urshanabi pediu para Gilgamesh cortar árvores porque, ele havia destruído o equipamento do barco antigo. Ele então iniciou a viagem e quando chegaram as águas da morte, depois de três dias no oceano, ele pediu para Gilgamesh colocar as toras na água e partir sozinho, e assim ele chegou ao destino.

Utnapishtin o viu chegando e perguntou a razão de sua vinda. Gilgamesh lhe respondeu e pediu como encontrar a vida que buscava. Utnapishtin fez um discurso moralista sobre a natureza da vida e da morte, mas Gilgamesh lhe perguntou: Como ele, um homem, havia chegado ali e ganhado a vida eterna?

Utnapishtin decidiu então contar a sua história, que até então era um segredo dos deuses.

5. A história do dilúvio

No passado, os deuses haviam decidido exterminar a humanidade. Enlil era o mais irritado. Todo o alvoroço humano era intolerável e não o deixava dormir.

A deusa Ea, desejando salvar o mundo, alertou Utnapishtin em sonho, mandando que ele construísse um barco e levasse consigo "a semente de todas as criaturas vivas".

Ele pediu como explicaria para a cidade o que fazia e o deus disse para mentir e dizer que o deus Enlil estava furioso com ele e que, por isso, ele partiria da cidade e a cidade teria abundância. E ele iria morar com seu senhor Ea.

Então, ele construiu o barco em 7 dias com a ajuda de sua família, e colocou nele todos os animais e tudo o que precisaria para reconstruir o mundo. A tempestade logo veio, e foi tão violenta que assustou os próprios deuses, que fugiram. Diante do terror do que haviam feito, todos os deuses choraram, e choveu torrencialmente por 6 dias e 6 noites.

A humanidade havia virado argila, e o barco eventualmente ficou preso ao topo de uma montanha. No sétimo dia Utnapishtin soltou uma pomba que retornou, ele então soltou uma andorinha e depois um corvo, e esse último não mais voltou.

O rei Ur-Nammu diante do deus Enlil. Detalhe da Estela de Ur-Nammu (cerca de 2080). Museu Penn.

Utnapishtin então fez um sacrifício e um grande banquete para os deuses. Todos vieram para comer, menos Enlil, o causador do dilúvio. Quando ele finalmente chegou, ficou enraivecido, porque um homem havia sobrevivido. Ea discutiu com ele, perguntando como ele pôde ter a audácia de dar um castigo tão desproporcional à humanidade.

Os deuses então se reuniram e decidiram tornar Utnapishtin e sua mulher imortais, para que pudessem viver com os deuses.

6. A volta

Voltando ao local onde a história estava sendo contada, Utnapishtin diz a Gilgamesh que lhe concederá o que quer, ele só precisa não dormir por 6 dias e 6 noites. Gilgamesh entretanto cai em sono profundo quase instantaneamente.

Depois disso ele o preparou para partir, mas antes que ele fosse embora, Utnapishtin lhe confidenciou um segredo: Existia uma planta com espinho sob as águas, se ele conseguisse pegá-la, ela lhe restauraria a juventude.

Relevo produzido pelo escultor Neil Dalrymple para o Museu Mythstories, do oeste da Inglaterra. Esse relevo retrata Gilgamesh descendo até as profundezas para pegar a planta da juventude.

Gilgamesh entrou na água e pegou a planta, mas decidiu não usá-la por enquanto. Quando chegasse em Uruk daria aos anciãos para que voltassem a ser jovens, e depois ele mesmo comeria. Começou então sua viagem de volta com o barqueiro. No meio do caminho parou para se banhar em um poço e uma serpente roubou a flor, para sua grande lamentação.

Ao chegar em Uruk ele se vangloriou para Urshanabi da grande cidade que havia construído, e então descansou e gravou em pedra a sua história.

7. A morte de Gilgamesh

Aclamação final de Gilgamesh, louvando os seus feitos e descrevendo o lamento da cidade de Uruk após a sua morte. Além de falar das oferendas feitas a ele e à todos os deuses no dia de sua passagem. A estória termina louvando os aspectos humanos e mortais do herói, e frisando mais uma vez, a inevitabilidade da morte para os humanos.

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Gilgamesh no jardim dos deuses, com a deusa Siduri ao fundo. Relevo produzido pelo escultor Neil Dalrymple para o Museu Mythstories, do oeste da Inglaterra.

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Fontes bibiliográficas:

ANÔNIMO. A Epopéia de Gilgamesh. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.

Artigo publicado em 08/09/2018.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Escrito por

Moacir Führ

Moacir tem 34 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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