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Conteúdos dos capítulos do livro

1. A Pepita: Causo de meados do século 19 que mostra a decadência portuguesa após o fim do domínio sobre o Brasil e quase meio século após o ciclo do ouro.

2. Fome de ouro: O reinado de Dom Manuel I (1495-1521), a expansão marítima, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Américo Vespúcio e a chegada do Brasil em 1500. O Império Português nas primeiras décadas. O desprezo pelo Brasil nas primeiras décadas.

3. O metal que "endoença": O período entre 1521 e 1580. A descoberta do ouro e prata na América Espanhola. Os corsários ingleses e franceses e a contestação ao Tratado de Tordesilhas. O início da colonização do Brasil. Fundação de São Vicente e Martim Afonso de Sousa. As capitanias hereditárias e o açúcar. O mito de Sabarabuçu (Eldorado português). Criação do Governo Geral e primeiros governadores. A expedição de Brás Cubas. Pequena quantidade de ouro descoberta em São Paulo. O desaparecimento do rei São Sebastião.

4. Pecadores e caranguejos: O período da União Ibérica (1580-1640) e a busca pelo ouro. Porque as expedições do século 16 falharam em encontrar ouro? Dom Francisco de Sousa, governador-geral com fome de ouro. Novas estratégias para futuras expedições. A divisão do Governo-Geral em Norte e Sul. Os caminhos pelo sertão e os índios.

5. Longa e incerta via: Do fim da União Ibérica (1640) até o assassinato de Rodrigo Castelo Branco por Borba Gato em 1682. As cartas dos reis de Portugal aos sertanistas concedendo honras e mercês a quem descobrisse ouro. As bandeiras paulistas. A expedição de Fernão Dias.

6. A ambição dos homens tudo facilita: Os últimos anos antes da descoberta do ouro nas minas. Porque os paulistas não descobriam o ouro se todo mundo sabia onde ele estava? Novas ordens do rei privilegiam os paulistas e garantem a posse das minas aos seus descobridores. O ouro é descoberto em 1693 e as notícias chegam a Lisboa em 1695. O papel de Borba Gato nas primeiras descobertas.

7. Os escondidos de Deus: Os primeiros anos da Corrida do Ouro. O grande movimento migratório em direção às minas. A fome e a doença que afligiram os primeiros mineradores. Mudanças administrativas para impedir sonegação. O Caminho Novo. Começam as disputas entre paulistas e forasteiros.

8. Som de guerra: As primeiras brigas entre paulistas e forasteiros (emboabas). Começa a guerra. Toda a descrição da Guerra dos Emboabas (1708-1709).

9. O grande governador da Ilha dos Lagartos: As regulamentações e novas organizações administrativas após a guerra dos Emboabas. A revolta de Filipe dos Santos. O período áureo de Portugal.

10. Um presente para o rei: O ouro na Bahia, Mato Grosso, Roraima, Goiás e Tocantins. As monções.

11. Matéria e bizarria: A sonegação do quinto. A grande arrecadação da coroa portuguesa e o período áureo de Portugal no reinado de Dom João V (1706-1750). A descoberta de diamantes. O luxo e ostentação da corte portuguesa durante o reinado de Dom João V.

12. Triunfo do sertão: Sobre as vilas na região das minas, seu desenvolvimento, sua riqueza e sua cultura. Os reflexos econômicos da mineração.

13. Os que não sonharam: Sobre a escravidão negra nas minas.

14. O arrepio do medo: Dom José I e o terremoto de Lisboa em 1755. O Marquês de Pombal. O aumento dos impostos no Brasil devido às políticas do Marquês de Pombal.

15. Esfarrapada fortuna: D. Maria assume a coroa. Começa a decadência das minas. Diagnósticos da coroa sobre essa decadência e uma descrição do cenário nas minas.

16. Fanfarrões: A decadência da mineração. A derrama e a Inconfidência Mineira.

17. Da inutilidade do ouro: Capítulo curto sobre a loucura de D.Maria.

18. Da utilidade do ouro: Dom João assume como príncipe regente. A relação Portugal e Inglaterra e o Tratado de Methuen.

19. Adeus, Lisboa: Capítulo curto. Napoleão e a fuga da família real em 1808.

20. O gigante deitado: A família real no Brasil e o relatório do Barão Eschwege sobre o que fazer com as minas. A decadência e o fim da mineração.

21. O que restou e o que ficou: O legado da mineração para o Brasil e para onde foi o ouro na Europa.

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Boa Ventura! A Corrida do ouro no Brasil (1697-1810) A cobiça que forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo.

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Capa do livro Boa Ventura! A Corrida do ouro no Brasil (1697-1810), de Lucas Figueiredo
Informações técnicas

Autor: Lucas Figueiredo
Páginas: 387
Editora: Record
Ano da edição: 2011
Idioma: Português

Sinopse

Quanto ouro foi levado para fora do Brasil? Como foram as excursões que desbravaram o coração do país na busca pelo eldorado brasileiro? Nesta reportagem histórica, narrada como um romance de aventura, o jornalista Lucas Figueiredo conta como a cobiça forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo.

Jornalista
Lucas Figueiredo

Jornalista e escritor, nasceu em Belo Horizonte em 1968. Recebeu três prêmios Esso, dois Vladimir Herzog e um Jabuti. Foi repórter da Folha de S.Paulo e colaborador da rádio BBC de Londres. Também atuou como pesquisador da Comissão Nacional da Verdade e consultor da Unesco. Além desse livro, também é autor dos livros-reportagem Morcegos negros e Ministério do silêncio, entre outros.

Análise do livro
4/5 BOM

FIGUEIREDO, Lucas. Boa Ventura! A Corrida do ouro no Brasil (1697-1810). Rio de Janeiro: Record, 2011.

Boa Ventura! é uma obra sobre o ciclo da mineração no Brasil. O livro foi escrito por Lucas Figueiredo, um jornalista e escritor, autor de diversos livros-reportagem que vão desde temáticas como a mineração no Brasil, a ditadura militar até a política brasileira mais recente. O livro Boa Ventura! foi lançado em 2011 e se dedica a fazer um relato da corrida do ouro no Brasil entre os períodos de 1697 a 1810, com foco especial na região das Minas Gerais.

Já havia feito a leitura dessa obra em 2016, mas como na época eu não fiz anotações detalhadas do livro, decidi fazer a releitura da obra, produzir as anotações e também escrever uma nova resenha mais completa.

Abaixo você confere o conteúdo de cada um dos capítulos da obra. Depois disso coloco alguns comentários com minhas opiniões pessoais sobre o livro.

Exibir conteúdo dos capítulos

Comentários sobre o livro

O livro é inegavelmente bem escrito e divertido de ler, algo esperado, já que os jornalistas tendem a escrever muito bem. Eu fiz a leitura das 334 páginas em sete dias sem muito esforço. Achei o livro muito interessante e acredito que o autor fez um trabalho elogiável em condensar a história da mineração e mostrar os diversos pontos de vista dos envolvidos: os mineiros, a coroa, os escravos e até a percepção de outros países sobre a riqueza portuguesa.

As primeiras 130 páginas do livro trazem uma introdução geral sobre o império português, a importância do Brasil dentro dele e as diversas tentativas de encontrar ouro ao longo dos primeiros 200 anos de colonização. A partir da página 130 até a página 290, o autor descreve o período áureo da mineração (1700-1750). E nas 40 páginas finais há uma descrição dos seus anos de declínio e da decadência das minas.

O autor descreve bem como a busca do ouro teve um papel fundamental nos primeiros séculos da colonização portuguesa. E também dá um bom destaque aos reis portugueses, principalmente para frisar a imensa vontade que eles tinham de encontrar metais preciosos no Brasil, e para relatar as dívidas e as extravagâncias da corte portuguesa após o ouro ser encontrado.

O período áureo da mineração no Brasil foi durante os reinados de Dom João V (1706-1750), Dom José I (1750-1777) e Dona Maria (1777-1792). Lucas Figueiredo apresenta essas personalidades de forma bastante vívida e mostra como a política desses líderes levou Portugal a gastar o ouro do Brasil sem olhar para o futuro. Nenhum rei jamais teve tanto dinheiro quanto Dom João V.

É importante chamar a atenção para alguns valores, para que se perceba o tamanho da riqueza portuguesa no século 18. Estima-se que 1000 toneladas de ouro tenham sido extraídas do Brasil durante esse século.

O preço atual do quilo do ouro é cerca de R$ 300 mil. Se usarmos esse preço como base, só essas 1000 toneladas representam R$ 300 bilhões. O quinto do rei sobre isso daria R$ 75 bilhões. Ou seja, apenas com o imposto cobrado sobre o ouro brasileiro, os reis portugueses teriam arrecadado algo em torno de 75 bilhões em um período de 100 anos.

O autor também destaca outros eventos importantes: a guerra dos Emboabas (1708-1709) que ocorreu logo nos primeiros anos após a descoberta, recebeu um capítulo especial (capítulo 8) e foi descrita com muitos detalhes. O Terremoto de Lisboa de 1775, que mudou a política de impostos nas Minas, também recebeu um relato bastante rico no capítulo 14.

Há várias características na obra que chamam a atenção pela qualidade: o autor se utiliza de ampla bibliografia e também de muitas fontes primárias, que são constantemente citadas ao longo da obra. A narrativa linear dos eventos ajuda muito na compreensão do cenário, e o foco tanto na extração do ouro quanto na visão da corte portuguesa, contribui para dar ao leitor uma visão global dos eventos e da importância que o ouro brasileiro teve no mundo. Ao final da obra o autor também faz muito agradecimentos a historiadores especialistas na área, que deram ampla contribuição e auxílio para a escrita da obra, em especial a historiadora Júnia Ferreira Furtado, que é autora de vários livros sobre o tema.

Para finalizar: o livro é bom. É bem escrito e resume de forma lúcida e coerente a maior parte dos temas envolvendo a corrida do ouro. Recomendo para todos aqueles que ainda não sabem muito sobre o tema. Pessoas que não sabem nada e quiserem uma introdução irão achar o livro excelente.

Nessa página você ainda encontra muitas outras informações que lhe permitirão ter uma visão mais completa da obra: acima dessa resenha você verá o link para fotos da obra e para as minhas anotações de leitura, com detalhes profundos do seu conteúdo. O livro está disponível na Library Genesis, ou pode ser comprado pesquisando pelos links que disponibilizamos logo acima.

Resenha escrita em 07/05/2022.

Foto do membro da equipe: Moacir Führ
Escrita por Moacir Führ

Moacir tem 37 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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