Zigurates - O que eram e qual era a sua finalidade?

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Reconstrução do Zigurate de Uruk e seu Templo Branco, feita pelo site artefacts.

Os templos religiosos da Mesopotâmia eram grandes estruturas que abrigavam as classes de sacerdotes e sacerdotisas, possuiam escolas anexas, e locais para armazenamento de grãos e outros bens que pertenciam ao templo. O Zigurate era parte da estrutura de alguns templos.

Ele era uma grande construção, normalmente em forma de pirâmide escalonada, com longas escadas, que levavam ao topo onde havia algum tipo de templo religioso. Infelizmente nenhum desses templos sobreviveu, temos apenas relatos de sua existência e vestígios das bases de alguns deles.

Nem todos as cidades possuiam um zigurate, mas todas as cidades possuíam um templo. A religião era extremamente importante para a cultura da Mesopotâmia, e estava completamente entrelaçada com a política, a agricultura, a educação e todos os demais facetas da vida desse povo.

Terraços com árvores?

Na década de de 1920, durante suas escavações na cidade de Ur, o famoso arqueólogo Leonard Woolley teorizou que os terraços dos zigurates "não eram pavimentados, mas tinham árvores plantadas, como 'jardins suspensos', com os nichos no revestimento de tijolo queimado servindo para drenagem e para prender as talhas de irrigação." (LEICK, 2003, p.148)

De fato existem várias ilustrações circulando até hoje, principalmente em livros para iniciantes, que mostram os zigurates cobertos de plantas. Um exemplo é a imagem abaixo, que encontrei em uma rápida pesquisa no Google:

Ilustração moderna, autor desconhecido.

No entanto, Gwendolyn Leick destaca em sua obra que não há evidências, nem materiais nem literárias, que suportem essa afirmação. Além disso o mantenimento de tal estrutura exigiria um planejamento e esforço grande demais.

Qual a finalidade dos zigurates?

A razão de existir dos zigurates é tema para muitos debates entre os historiadores. A verdade é que não temos certeza. Com as fontes que possuímos só podemos fazer conjecturas. Kriwaczek propõe algumas hipóteses:

(...) talvez representar a montanha sagrada da suposta pátria original dos sumérios; talvez elevar o santuário do deus acima das inundações que afligiam regularmente o sul da Mesopotâmia; possivelmente manter as pessoas comuns o mais longe possível do santuário supremo. (..) Como obras de arte arquitetônicas, sua função principal, como a de todas as edificações, é deixar uma marca na paisagem. (KRIWACZEK, 2018, p.200-201)

Os mesopotâmicos tinham o costume de assentar a base de suas funções sobre antigas construções, tornando assim suas construções cada vez mais altas. Talvez o zigurate seja um desenvolvimeno adicional dessa prática.

O risco de inundações também é citado por outros autores, como uma das razões possíveis para a elevação dos templos: manter os deuses a salvo das enchentes era essencial para que a benevolência deles continuasse a servir aos interesses da cidade.

Também é possível que a plataforma elevada dos zigurates favorecesse a sua utilização para observatório de experiências astronômicas. Os mesopotâmicos possuíam bons conhecimentos de astronomia e ela estava intimamente ligada a religião e ao misticismo, como a própria invenção da astrologia comprova.

Os zigurates da Mesopotâmia

Boa parte dos Zigurates não existe mais, apenas as suas fundações foram encontradas. Segundo o arqueólogo Michael Roaf:

Os restos de Zigurate foram encontrados em 16 jazigos; outros são conhecidos pelos textos (como o da Acádia, que não se sabe exatamente onde ficava) ou pela forma das ruínas. Havia dois tipos principais de zigurate: um tipo do sul, mais antigo, que tinha uma plataforma retangular e escadarias, e um tipo do norte, posterior, sem escadarias, em que o templo costumava ser parte de um grande complexo. (ROAF, 2006, 103)

A lista de Zigurates que o autor fornece no seu livro inclui os zigurates mostrados a seguir:

Mapa da Mesopotâmia com a localização dos zigurates citados nesse artigo. Em verde os zigurates sobre os quais criamos conteúdo, em azul outros zigurates apenas citados. Em vermelho a posição da atual capital do Iraque, Bagdá.

No próximo artigo iremos apresentar algumas informações, fotos e reconstruções ilustrativas dos zigurates que estão em marcados em verde no mapa acima. Daremos destaque ao zigurate de Ur, de Untash-Napirisha, de Uruk, de DurKurigalzu, de Borsippa e da Babilônia.

Infelizmente, não possuímos informações suficientes sobre os demais.

Continue lendo essa série:
Conheça os principais zigurates da Antiga Mesopotâmia

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Fontes bibiliográficas:

KRIWACZEK, Paul. Babilônia - A Mesopotâmia e o nascimento da civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
LEICK, Gwendolyn. Mesopotâmia - A Invenção da Cidade. Rio de Janeiro: Imago, 2003.
ROAF, Michael. Grandes Civilizações do Passado: Mesopotâmia. Barcelona: Folio, 2006

Artigo publicado em 19/09/2018.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Escrito por

Moacir Führ

Moacir tem 33 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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