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A arte dos livros na Idade Média

Artigos > Idade Média  |  1,1 mil visualizações  |  669 palavras

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Capa do artigo: A arte dos livros na Idade Média

Evangelhos em Armênio. 1434-1435. MET. N° 2010.108

Antes da invenção da impressão mecânica, os livros eram objetos feitos à mão, valorizados como obras de arte e símbolos do conhecimento duradouro. De fato, na Idade Média, o livro se tornou um atributo de Deus.

Cada etapa da criação de um livro medieval exigia trabalho intensivo, às vezes envolvendo a colaboração de oficinas inteiras. Pergaminho para as páginas tinha que ser feito a partir das peles secas de animais, cortadas no tamanho correto e costuradas juntas; tintas tinham que ser misturadas, penas preparadas e as páginas alinhadas para as letras.

Livros medievais em exposição no museu J. Paul Getty, Los Angeles.

Um escriba copiava o texto de uma edição pronta e os artistas então faziam o embelezamento com ilustrações, iniciais decoradas e ornamentos nas margens. Os livros medievais mais luxuosos estavam encadernados em capas com esmaltes, jóias e esculturas de marfim.

Livro feito em Constantinopla com capa contento pedras preciosas e uma inscrustação da crucificação em marfim. Cerca de 1085. MET. N° 17.190.134.

O surgimento de universidades em toda a Europa criou a demanda por Bíblias de volume único, livros de direito e outros textos copiados em páginas com margens amplas para anotações e comentários. Nos séculos 13 e 14, os particulares compravam e utilizavam livros de horas, que continham preces a serem recitadas ao longo do dia.

Textos importantes foram traduzidos do latim para o francês e outras línguas locais. As ilustrações de alguns manuscritos, notáveis por sua qualidade e originalidade, foram executadas por artistas de primeira linha; muitos outros, embora pequenos, têm a elegância monumental de obras maiores.

Livros bizantinos

Textos também eram recebiam consideração especial em Constantinopla, onde as pessoas classificavam a alfabetização como uma meta desejável. Há 40 mil manuscritos bizantinos preservados - um grande número, considerando o custo de sua produção.

Bibliotecas monásticas continham as maiores coleções; por exemplo, o Mosteiro de Patmos possuía 330 livros e o Mosteiro de Lavra, localizado no Monte Athos, abrigava 960 manuscritos. Bibliotecas particulares geralmente possuíam mais de 25 volumes.

O Mosteiro da ilha de Patmos e sua biblioteca.

Durante o período entre 1204 e 1261, quando Constantinopla estava sob o domínio dos latinos cruzados, a produção de livros era limitada. Problemas financeiros significavam que era muito mais difícil comprar os materiais e o trabalho necessários para produzir manuscritos.

O retorno do governo grego sob Michael VIII estimulou um período de crescimento renovado na produção de manuscritos. Estudiosos procuravam por escritos clássicos e então os copiavam. Maximos Planudes (cerca de 1260-1310), por exemplo, redescobriu a Geografia de Ptolomeu, editou Plutarco, e reescreveu a antologia grega de epigramas.

O contato com o Ocidente introduziu uma série de textos latinos que os eruditos gregos traduziram para o grego - de Ovídio e Cícero a Santo Agostinho e Tomás de Aquino.

Por volta de meados do século 14, o patrocínio financeiro disponível para esses grandes estudiosos começou a diminuir. Cada vez mais, intelectuais bizantinos, como o cardeal Bessarion (1403–1472), levaram sua experiência e conhecimento de textos antigos para a Itália.

O Cardeal Bessarion. Pintura de Justus van Gent e Pedro Berruguete, cerca de 1473-1475. Atualmente no Museu do Louvre. via Wikimedia Commons.

A prensa de tipos móveis foi inventada pelo alemão Johannes Gutenberg por volta de 1450. Enquanto a imprensa se tornava uma importante fonte de produção de livros no Ocidente, o governo otomano não permitiu seu uso. Assim, as áreas orientais continuaram produzindo manuscritos em vez de livros impressos até 1557 e, em alguns lugares, por mais tempo.

Se você tem interesse nesse tema, e quer saber mais sobre os livros medievais, confira a galeria abaixo e leia nosso outro artigo: O Livro na Idade Média.

Tradução de texto escrito por Departamento de Arte Medieval do MET
Outubro de 2001

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1 de 8

Detalhe de uma iluminura medieval que ilustra um Livro de Salmos.
Uma página de um manuscrito medieval do século 14.
Livro das Horas, Bruges, Bélgica.
Lecionário bizantino Jaharis. Cerca de 1100. MET. N° 2007.286.
Livros medievais em exposição no Museu de Londres.
Livros medievais em exposição no Museu de Mallorca.
Livros medievais em exposição no Museu de Mallorca.
Bíblia pequena parisiense do século 13 .

Detalhe de uma iluminura medieval que ilustra um Livro de Salmos.

Feita em Verona no início do século 16, algumas décadas posterior a Idade Média. MET. N° 12.56.4.

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Fontes bibiliográficas:

Alexander, Jonathan J. G. Medieval Illuminators and Their Methods of Work. New Haven: Yale University Press, 1992.
Calkins, Robert G. Illuminated Books of the Middle Ages. Ithaca, N.Y.: Cornell University Press, 1983.
De Hamel, Christopher. Scribes and Illuminators. London: British Museum Press, 1992.
Holcomb, Melanie, with contributions by Lisa Bessette et al. Pen and Parchment: Drawing in the Middle Ages. Exhibition catalogue. New York: Metropolitan Museum of Art, 2009.
Pächt, Otto. Book Illumination in the Middle Ages. Oxford: Oxford University Press, 1986.

Artigo publicado em 23/04/2019.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Postado por

Moacir Führ

Moacir tem 34 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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