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Creta e a Civilização Minóica para Iniciantes

Artigos > Grécia Antiga  |  2,2 mil visualizações  |  959 palavras

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Capa do artigo: Creta e a Civilização Minóica para Iniciantes

Fotografia das ruínas do Palácio de Cnossos, Creta. Grécia.

Todas as datas nesse artigo são antes de Cristo.

A civilização minóica, que se desenvolveu na ilha de Creta (uma ilha com 8.336 km²), tem seu nome derivado do lendário rei Minos. Foi fundada por povos emigrados da Ásia Menor em 3000. A partir de de 2000 já dominavam o bronze.

Mapa do Mediterrâneo Oriental. Creta em destaque.

Até o início do século XX a existência de uma importante civilização em Creta, antes da invasão dória, era considerada uma lenda pelos historiadores modernos. Entretanto, em 1893, o arqueólogo inglês Arthur Evans decidiu verificar. Ele foi até a ilha e começou a recolher objetos durante sua caminhada. Sete anos depois ele adquiriu um grande local e começou as escavações. Em dois meses, com a ajuda de 150 homens, ele descobriu o grande tesouro da arqueologia antiga: a famosa cidade de Cnossos e seu grande palácio.

Arthur Evans com uma coleção de objetos de Creta na Academia Real em uma exibição sobre a Grécia Antiga. Ele se apoia em um modelo de trono de Minos com vários vasos de cerâmica ao seu redor. Foto com data desconhecida.

Evans também encontrou centenas de tabletes de argila com caracteres desconhecidos. A partir de então arqueólogos de todo o mundo começaram a se interessar por essa nova civilização e rumaram para a ilha. Mas uma compreensão melhor desse povo só seria conseguida com a decifração da escrita minóica.

Logo ficou comprovada a existência de três tipos diferentes de escrita: a primeira, e mais primitiva, era pictográfica. A segunda havia surgido por volta de 1800 e ficou conhecida como Linear A, ela era uma alteração da primeira em forma de escrita linear composta por mais de 90 sinais. A terceira escrita foi chamada Linear B, era outra escrita linear, mas era semelhante à escrita fenícia da mesma época.

Em 1952, um inglês chamado Michael Ventris, de apenas 30 anos, se apoiando do trabalho de diversos outros linguistas, conseguiu decifrar a Linear B e possibilitou aos historiadores a leitura de mais de cinco mil tabletes com informações cretenses. As escritas pictográficas e a Linear A continuam sem tradução até hoje.

Michael Ventris e a escrita Linear B.

Resumo histórico

Os cretenses souberam desde cedo tirar proveito da sua posição geográfica privilegiada. Impelidos a buscar novos caminhos para a sua economia em expansão, eles se voltaram para o comércio e a indústria. A agricultura e a pesca também eram praticadas, mas tinham menos importância. Cada uma das muitas cidades cretenses era especializada em algum tipo de produto e comércio entre elas era forte, tendo sido favorecido pelas estradas pavimentadas que ligavam os quatro cantos da ilha.

Mas o principal setor econômico era mesmo a industria e o comércio. Os cretenses eram mestres ourives, tinham conhecimentos de plantas medicinais, fabricavam vinho e azeite de oliva e sua cerâmica era requisitada em todo o oriente. Sua frota de barcos também fazia transporte de mercadorias como, por exemplo, madeira da fenícia para o Egito.

Cnossos, Ilha de Creta, Palácio Real, 1450 a.C. Ilustração Moderna do site Archaeology Illustrated.

Sabemos que desde 2000 a marinha mercante de Creta mantinha relações comerciais com o Egito, Síria e Ásia Menor. Mais tarde também com o ocidente: Sicília e até com a distante Gália. Esse pioneirismo teve como causas principalmente o crescimento demográfico, a posição geográfica privilegiada e a existência de madeira em abundância na ilha, o que permitiu que esse povo se lançasse ao mar com uma frota própria.

Segundo Tucídides “a primeira pessoa indicada pela tradição como tendo construído uma frota é Minos. Fez-se ele senhor do que hoje chamamos Mar Helênico e governou as cidades... Esforçou-se por eliminar a pirataria naquelas águas, como passo indispensável a boa arrecadação de rendas, em proveito próprio.”

Os constantes contatos com o oriente com certeza ajudaram os minóicos a desenvolver uma arte com tendências mais orientais, mas nem por isso menos inovadora. Sua cerâmica e pintura eram belíssimas.

Na questão interna, não sabemos exatamente qual era sua organização política. Ignoramos se os cretenses eram governados por reis-sacerdotes, mulheres ou tiranos. Mas podemos supor que a exemplo das civilizações orientais (que lá exerceram tanta influência cultural) predominava o regime de servidão coletiva. E teria sido dessa forma que os grandes palácios de Cnossos e Faestos teriam sido erguidos. Esses palácios não só eram as capitais administrativas de suas respectivas cidades, como serviam de depósito de alimentos e oficinas artesanais.

Ilustração moderna do palácio de Cnossos. Autor desconhecido.

 
A civilização cretense tem seu período mais importante entre 2000-1450. Em 1700, não se sabe como nem porque, os palácios foram destruídos e imediatamente reerguidos. A Idade de Ouro de Creta se situa entre 1580-1450 quando começa a decadência, vários fatores podem ser responsáveis por isso, entre eles:

  • Fatores naturais – erupções vulcânicas e terremotos;
  • Crescimento do poder micênico e
  • Disputas entre as cidades da ilha.

De 1450 a 1400 os principais palácios da ilha são destruídos, também ignoramos como.

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Fontes bibiliográficas:

AQUINO, Rubim Leão. Historia das Sociedades: Das comunidades primitivas às Sociedades medievais. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1980
BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental, vol.1. São Paulo: Globo, 2005.
DURANT, Will. História da Civilização, vol. 2. Nossa Herança Clássica. São Paulo: Record, 1995.
GIORDANI, Mario Curtis. História da Grécia. Petrópolis: Vozes, 2008.

Alterações realizadas desde a publicação:

05/05/2019 - Correções no texto.
07/05/2016 - Data de publicação

Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Escrito por

Moacir Führ

Moacir tem 34 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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