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Cães na Mesoamérica

Artigos > América Latina  |  482 visualizações  |  754 palavras

Capa do artigo: Cães na Mesoamérica

Escultura asteca representando a cabeça do deus Xolotl, exposta no Museu Nacional de Antropologia do México. Encontrada no centro história da Cidade do México.

Os maias tinham um relacionamento com os cães semelhante aos dos chineses. Cães foram criados em currais como fonte de alimento, como guardiões e animais de estimação, e para a caça, mas também foram associados aos deuses. Como os cães eram notáveis como grandes nadadores, pensava-se que eles conduzissem as almas dos mortos através das águas para a vida após a morte, o submundo de Xibalba. Uma vez que a alma chegava ao reino das trevas, o cão serviu de guia para ajudar o falecido através dos desafios apresentados pelos senhores de Xibalba e para alcançar o paraíso.

Isto foi inferido de escavações na região que descobriram sepulturas nas quais os cães são enterrados com seus mestres e de inscrições nas paredes do templo. Inscrições similares nos Códices Maias sobreviventes retratam o cão como o trazedor do fogo para o povo e, no livro sagrado dos maias, o Popol Vuh, os cães são instrumento na destruição da raça ingrata e desconhecida dos humanos que os deuses primeiro produziram e depois se arrependeram.

Os astecas e tarascanos compartilhavam essa visão do cão, incluindo o cão como um guia para a vida após a morte do falecido. Os astecas também tinham uma história em sua mitologia sobre a destruição de uma raça primitiva de seres humanos em que os cães são apresentados. Neste conto, os deuses afogam o mundo em um grande dilúvio, mas um homem e uma mulher conseguem sobreviver agarrados a um tronco. Uma vez que as águas baixam, elas sobem em terra seca e constroem uma fogueira para se secarem. A fumaça deste fogo incomoda o grande deus Tezcatlipoca que arranca a cabeça deles e depois costura as cabeças do homem e da mulher nas extremidades e, ao fazê-lo, cria os cães.

De acordo com esse mito, os cães são anteriores a raça atual dos seres humanos e, portanto, devem ser tratados com respeito à maneira como se trata um idoso. Os astecas também enterravam cães com seus mortos e seu deus da morte, Xolotl, era imaginado como um cachorro enorme.

Representação do deus Xolotl. Desenho feito a partir de arte presente no Codex Borgia.

Os tarascanos, como os astecas e os maias, mantinham cães como animais de estimação, para caçar e alimentar, e também os ligavam aos deuses e à vida após a morte. As almas daqueles que morriam sem o enterro apropriado, como aqueles que se afogaram ou se perderam na batalha ou morreram sozinhos em uma caçada, eram encontradas por cães espirituais que garantiriam sua passagem segura para a vida após a morte.

Em todas essas três culturas (como, de fato, nas outras mencionadas acima), a crença em fantasmas era muito real. Um fantasma não só poderia causar problemas em sua vida diária, mas poderia realmente trazer danos físicos e até a morte. O conto Tarasco sobre os cães espirituais dissipou o medo de que, se alguém não tivesse sido capaz de enterrar adequadamente um ente querido, o fantasma do falecido voltasse a incomodar os vivos. As pessoas não teriam que temer isso porque o cão cuidaria do problema.

Conclusão

Na antiga Índia, Mesopotâmia, China, Mesoamérica e Egito, o povo tinha laços profundos com seus cães e, como visto, isso também era comum na Grécia e Roma antiga. Os gregos antigos pensavam em cães como gênios, como "possuidores de um certo espírito elevado". Platão se referiu ao cão como um "amante da aprendizagem" e uma "besta digna de admiração". O filósofo Diógenes de Sinope adorou a simplicidade da vida do cão e encorajou os seres humanos a imitá-lo.

Enquanto outros animais sofreram mudanças significativas na forma como são percebidos ao longo da história (o gato, mais notavelmente), o cão permaneceu um companheiro, amigo e protetor constante e foi representado dessa maneira na arte e nos escritos de muitas culturas antigas. A velha alegação de que um cachorro é o melhor amigo de alguém é substanciada por meio do registro histórico, mas não são necessárias provas para as pessoas que nos dias de hoje tenham tido a sorte de desfrutar da companhia de um bom cão.

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Fontes bibiliográficas:

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Francis D. Lazenby: Greek and Roman Household Pets
Tour Egypt
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Artigo publicado em 30/10/2018.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Postado por

Moacir Führ

Moacir tem 33 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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