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Declínio e queda do Império Romano

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Capa do livro Declínio e queda do Império Romano, de Edward Gibbon
Autor: Edward Gibbon
Título original: Decline and Fall of the Roman Empire - The Portable Gibbon
Páginas: 607
Editora: Companhia de Bolso
Ano da edição: 2005
Idioma: Português
Skoob: Acessar

Sinopse:

Publicado originalmente em seis volumes, entre 1776 e 1778, este estudo sobre o Império Romano foi, desde então, um marco na produção clássica e historiográfica mundial. Hoje, além de importante documento histórico, é uma das principais contribuições para a interpretação da história de Roma, e a obra mais famosa da historiografia inglesa. Da época de Trajano e dos Antoninos à tomada de Constantinopla, 1300 anos são narrados por Gibbon, um dos maiores estilistas da literatura inglesa. Irônico e contundente, o historiador apresenta o que considerou o "triunfo da barbárie e da religião" sobre as nobres virtudes romanas. E relata mais um capítulo da história, a qual define como "pouco mais do que o registro dos crimes, loucuras e desventuras da humanidade".


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Análise do livro

GIBBON, Edward. Declínio e queda do Império Romano. São Paulo: Companhia de Bolso, 2005.

Declínio e queda do Império Romano é uma obra gigantesca publicada em seis volumes entre 1776 e 1788, pelo historiador iluminista inglês Edward Gibbon. É um clássico da historiografia da Roma Antiga, e uma obra de leitura obrigatória para todos os interessados no Baixo Império, o período que vai de 235 a 476 d.C.

Por ser uma obra muito extensa, a versão completa em seis volumes nunca foi publicada no Brasil. A versão norte-americana, vendida por esse link, conta com 3980 páginas! Ao invés da versão completa, o que temos é a versão resumida, e é essa versão que estarei resenhando aqui.

A obra original em 6 volumes

Mas antes de analisarmos a versão resumida, é bom fazermos uma descrição do original. A versão resumida foca na queda do Império Romano do Ocidente. Mas a versão completa, segue narrando os eventos da Idade Média, e só termina com a queda do Império Romano do Oriente em 1453.

Abaixo você confere o nome de todos os 71 capítulos presentes na versão integral em seis volumes:

Volume 1: (1) A Extensão do Império na Era dos Antoninos, (2) A Prosperidade interna na Era dos Antoninos, (3) A Constituição na Era dos Antoninos, (4) A crueldade, loucura e assassinato de Cômodo, (5) Venda do Império a Décio Juliano, (6) Morte de Severo, tirania de Caracala, usurpação de Macrino, (7) Tirania de Maximino Trácio, rebelião, guerras civis, morte de Maximino, (8) Situação da Pérsia e Restauração da Monarquia, (9) Situação da Germânia até os bárbaros, (10) Imperadores Décio, Galo, Emiliano, Valeriano e Galieno, (11) Reinado de Cláudio II, derrota dos godos, (12) Reinos de Tácito, Probo, Caro e seus filhos, (13) Reinado de Diocleciano e seus três associados, (14) Seis imperadores ao mesmo tempo, reunião do império, (15) Progresso da religião cristã.

Volume 2: (16) Conduta para com os cristãos, de Nero a Constantino, (17) Fundação de Constantinopla, (18) Caráter de Constantino e seus filhos, (19) Constâncio como único imperador, (20) Conversão de Constantino, (21) Perseguição à Heresia, Situação da Igreja, (22) Juliano aclamado imperador, (23) Reinado de Juliano, (24) O retiro e a morte de Juliano, (25) Reinos de Joviano e Valentiniano, divisão do Império, (26) Avanço dos hunos.

Volume 3: (27) Guerras civis, reino de Teodósio, (28) Destruição do Paganismo, (29) Divisão do Império Romano entre os filhos de Teodósio, (30) Revolta dos godos, (31) Invasão da Itália, ocupação de territórios por bárbaros, (32) Imperadores Arcádio, Eutrópio, Teodósio II, (33) Conquista da África pelos vândalos, (34) Átila, (35) Invasão por Átila, (36) Extinção total do Império Ocidental, (37) Conversão dos bárbaros ao cristianismo, (38) Reinado de Clóvis.

Volume 4: (39) Reino gótico da Itália, (40) Reinado de Justiniano, (41) Conquistas de Justiniano, caráter de Belisário, (42) Situação do mundo bárbaro, (43) Última vitória e morte de Belisário, morte de Justiniano, (44) Ideia da jurisprudência romana, (45) Situação da Itália sob os lombardos, (46) Problemas na Pérsia, (47) Discórdia eclesiástica, (48) Sucessão e caráter dos imperadores gregos.

Volume 5: (49) Conquista da Itália pelos francos, (50) Descrição da Arábia e seus habitantes, (51) Conquistas dos árabes, (52) Mais conquistas dos árabes, (53) Destino do Império Oriental, (54) Origem e Doutrina dos Paulicianos, (55) Os búlgaros, os húngaros e os russos, (56) Os sarracenos, os francos e os normandos, (57) Os Turcos, (58) A Primeira Cruzada

Volume 6: (59) As Cruzadas, (60) A Quarta Cruzada, (61) Partição do Império pelos franceses e venezianos, (62) Imperadores Gregos de Nicéia e Constantinopla, (63) Guerras civis e a ruína do império grego, (64) Mongóis, Turcos Otomanos, (65) Elevação de Tamerlão, e sua morte, (66) União das igrejas grega e latina, (67) Cisma dos gregos e latinos, (68) Reinado de Maomé II, Extinção do Império Oriental, (69) Situação de Roma a partir do século 12, (70) Situação final do Estado eclesiástico, (71) Prospecção das ruínas de Roma no século 15.

A obra original em inglês foi escrita no século 18 e, por isso, já está em domínio público. Você pode ler toda a obra disponibilizada pelo Projeto Gutemberg através desse link.

A adaptação

A adaptação da obra foi feita por um jornalista norte-americano chamado Dero A. Saunders. Na sua introdução no início do livro, ele explica as quatro técnicas utilizadas para a condensação:

  • Todos os capítulos, menos o último, são da primeira metade da obra
  • Retirada de alguns capítulos e resumo de outros
  • Retirada de algumas passagens consideradas dispensáveis
  • Reitrada da maioria das extensas notas de rodapé originais

Basicamente o que o adaptador fez foi ignorar os volumes 4, 5 e 6 do original (que tratam da Idade Média) e remover ou resumir outros textos. E, embora o objetivo do livro seja mostrar a queda do Império Romano do Ocidente, o adaptador decidiu terminar o livro no capítulo 31 do original, quando ocorre o saque de Roma em 410. E os capítulos 32 à 36, que mostram o período que vai de 410 a 476, foram simplesmente removidos. Nada de Átila e nada de Genserico!

Ao longo da obra, o adaptador sempre avisa quando trechos são resumidos ou retirados adicionando notas explicativas no meio do texto ou comentários no rodapé. Então, pelo menos sabemos quais os conteúdos que foram removidos. Baseado nesse conhecimento, posso afirmar que não gostei do trabalho de adaptação realizado por Dero A. Saunders.

Essa versão resumida não segue nenhum tipo de padrão, em algumas partes ela dá enfoque a questão religiosa, mantendo longos trechos sobre o tema que poderiam ter sido retirados; e no capítulo seguinte ignora completamente a questão religiosa fazendo a remoção de todos os textos que tratam sobre o tema. E partes muito importantes, que eu estava ansioso para ler, foram removidas: como a atuação religiosa do imperador pagão Juliano, e as ações religiosas do imperador cristão Teodósio.

O cristianismo

Sempre ouvi muitos comentários de que a obra de Gibbon era extremamente crítica ao cristianismo, e que o autor culpava essa nova religião pela queda do império. Mas em nenhum momento durante a leitura dessa obra o autor critica o cristianismo ostensivamente. Ele apresenta os primórdios da religião, as perseguições aos cristãos, a ascensão do cristianismo como religião estatal e o combate as heresias, que foram uma constante desde os primeiros séculos da religião cristã. Dois capítulos da obra (8 e 10) são totalmente dedicados ao cristianismo.

Talvez eu tenha ficado com essa impressão porque o adaptador da obra abertamente retirou todos os trechos que tratam da perseguição cristã aos pagãos. O que foi um movimento muito mais terrível, mais duradouro e com consequências mais profundas do que as ocasionais repressões aos cristãos que ocorreram sob Nero, Décio e Dioclesiano.

Mas fica claro nas conclusões finais de Gibbon, quando ele discute as razões da queda do império do ocidente, que ele não vê o cristianismo como uma das causas do declínio. Na verdade, parece que ele vê a ascensão do cristianismo como uma das consequências do declínio do espírito, do exército e da economia de Roma.

Sobre a obra

Declínio e queda do Império Romano é, mesmo em sua versão resumida, uma obra bastante extensa. Mas o estilo de escrita do autor é muito agradável. A obra de Gibbon tem uma visão bem positivista, focada nos grandes líderes e nas grandes batalhas, e usa um estilo de história narrativa. Não há quase nenhuma análise das estruturas econômicas e sociais da época. O tema da questão militar realmente é o mais comum, com movimentações de exércitos, decisões de generais, descrições de batalhas e cercos e relatos sobre a ganância dos líderes e a manipulação deles nas mãos de seus ministros.

Mesmo assim é uma obra muito boa. Afinal é tão difícil encontrar um bom livro sobre o Baixo Império! A maioria dos historiadores que tratam da Roma Antiga se focam no Período Republicano (509-27 a.C.) ou no Principado (27 a.C.-235 d.C.), sempre com um destaque para a dinastia Júlio-Claudiana. Então é muito agradável ler um livro inteiro dedicado a Crise do Século 3, a Dioclesiano, Constantino, Juliano, Valentiniano, Teodósio, Estilico e Honório.

O autor utilizou fontes primárias como Amiano Marcelino, Zózimo, Eusébio de Cesaréia, Sexto Aurélio Vítor, entre outros, mas, na maior parte do tempo, não faz crítica das fontes, apenas narra o que elas relatam. Mas isso também se deve ao fato de que as inúmeras notas de rodapé do autor foram removidas, e muitas dessas críticas estavam presentes lá, como pode ser constatado olhando a versão do Projeto Gutemberg. A obra também não dispõe de uma bibiliografia.

Um ponto negativo que me chamou atenção no livro foram as faltas de datas, que normalmente são retiradas pelos autores para tornar o texto mais fluído. Mas mesmo assim seria muito útil se elas fossem adicionadas as notas de rodapé. Perdi a conta de quantas vezes peguei o celular para procurar no Google a data do que o autor estava narrando, para conseguir me posicionar no tempo.

Finalizando, posso dizer que recomendo muito a leitura do livro para os interessados no período. Mesmo com todos os seus problemas, é inegável que esse é um clássico cuja leitura é essencial, mesmo que seja em sua versão resumida.

Quer mais informações sobre o conteúdo de cada um dos capítulos do livro? Confira as minhas anotações de leitura nos links acima dessa análise.

Resenha publicada em 05/07/2020.

Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 34 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

Edward Gibbon

Edward Gibbon (1737-1794) foi um historiador inglês da Era Iluminista. Nasceu em família de posses. Filho mais velho e o único sobrevivente de sete crianças, teve uma infância muito doente. Por estar constantemente em tratamento, não pôde frequentar a escola com regularidade. Assim, teve tempo para seu hobby favorito: a leitura e sobretudo a história, que chamou de seu "alimento". Autodidata desde o início, Gibbon compõs Declínio e Queda do Império Romano sem consultar outros especialistas. Durante sua juventude, morou na Suíça e conheceu a sociedade local - participando das festas na casa de Voltaire. Morreu em Londres durante os anos iniciais da Revolução Francesa.

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