Passagens da Antiguidade ao Feudalismo

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Capa do livro Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, de Perry Anderson
Autor: Perry Anderson
Título original: Passages from Antiquity to Feudalism
Páginas: 293
Editora: Brasiliense
Ano da edição: 2000
Idioma: Português
Skoob: Acessar

Sinopse:

Perry Anderson se debruça sobre o processo de transformação das sociedades antigas, baseadas em um sistema escravista, em uma sociedade cujo sustentáculo era o modo de produção feudal.

O leitor é guiado pela ótica marxista de Anderson ao cerne de questões sociais e políticas originadas no período clássico e que se mantiveram atuantes até o nascimento dos Estados modernos e suas monarquias absolutistas. Em uma argumentação alicerçada no materialismo histórico, o autor lança luz sobre um período da história europeia pouco estudado por essa corrente historiográfica – atenta, mais comumente, ao desenvolvimento do capitalismo.


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Análise do livro

ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 2000.

Passagens da Antiguidade ao Feudalismo é uma obra do escritor inglês Perry Anderson publicada pela primeira vez em 1974. O livro é considerado um clássico sobre o tema, e a principal razão para isso é o fato de esse ser um tema pouquíssimo trabalhado por outros historiadores. 

Na introdução o autor comenta que o livro é um preâmbulo à obra Linhagens do Estado Absolutista, e os dois livros tem o mesmo objetivo: mostrar a transição econômica e política da Europa, o primeiro do escravismo para o feudalismo, e o segundo do feudalismo para o absolutismo.

Perry Anderson é um historiador marxista, ou seja, um historiador que se utiliza do método materialista histórico desenvolvido por Marx e Engels para a análise da história. Esse método se foca nos conflitos de classes e no estudo dos modos de produção. Embora muitas pessoas tenham uma visão preconceituosa com relação a essa metodologia, o único motivo pelo qual ela deixou de ser utilizada nos círculos acadêmicos é por ter saído de moda. Hoje em dia há uma tendência na academia de fazer uma história mais cultural, reflexo de um cruzamento maior com outras ciências sociais, como a antropologia. É uma questão de gosto.

O conteúdo da obra

O livro é dividido em quato partes:

Antiguidade Clássica: o autor começa o livro falando sobre o modo de produção escravo, que imperou na Europa Ocidental durante a antiguidade. E se debruça sobre os três ciclos de expansão imperial da Antiguidade: o ateniense, o macedônio e o romano. Anderson mostra quais foram as forças que levaram os romanos a dominar um gigantesco império e quais foram as causas da sua queda. Embora o tema do livro seja a transição do escravismo para o feudalismo, os dois capítulos que tratam de Grécia e Roma são com certeza os dois melhores do livro.

A transição: aqui o autor trata do período que vai das invasões do século 5 ao fim do Império Carolíngio no século 9. O foco é colocado nas formações socias germânicas e nas alterações que as invasões causaram na Europa ocidental. Anderson vê o Império de Carlos Magno como um dos responsáveis pelo surgimento do feudalismo na Europa.

Europa Ocidental: nessa parte da obra, Perry Anderson apresenta as caracteríticas do modo de produção feudal, e os diversos formatos que ele assumiu nas principais regiões do oeste europeu (França, Inglaterra, Germânia, Itália, Espanha e Portugal). O capítulo "Extremo Norte" trata dos vikings e da sua expansão entre os séculos 8 e 11. O autor termina falando sobre os grandes avanços do período feudal e da revolução agrícola medieval (1000-1250) e depois analisa as causas da crise do sistema no século 14.

Europa Oriental: a última parte da obra trata da Rússia, Polônia e de outros reinos do leste e as causas da dificuldade de implementação do feudalismo nessas regiões. O capítulo sobre os ataques nômades (O atraso nômade) é o melhor dessa última parte.

Minha visão sobre a obra

As obras de historiadores marxistas tendem a ser leituras pesadas e desorganizadas. Essa não é uma obra que eu recomandaria, a não ser com grandes ressalvas. Mas mesmo sendo textos complicados, esses livros costumam conter muitas sacadas interessantes e pontos de vista bem diferentes daqueles que estamos acostumados a ver em outros textos. Sempre aprendemos algo novo, por isso é ainda mais difícil não lamentar a falta de didática desses autores. Se eles simplesmente aprendessem a escrever eles poderiam contribuir muito mais para o avanço do conhecimento.

Mesmo com todos os problemas que comentarei a seguir, eu ainda assim pretendo ler a obra Linhagens do Estado Absolutista, pelo menos a parte que trata dos Estados da Europa Ocidental. Acredito que,  mesmo no meio de um texto confuso, conseguirei achar muitas informações valiosas.

Perry Anderson é um bom historiador, mas um péssimo escritor. Ele é claramente muito capaz e muito entendido no que fala, mas sua escrita é ruim e nem um pouco didática. Na verdade, na maior parte do tempo, ele só complica coisas que poderiam ser simples. Sua obra parece muito mais uma peça de auto glorificação intelectual do que um trabalho didático dedicado a educar e informar. Sua escrita é desnecessariamente complicada, vou dar apenas um exemplo:

A divisão feudal das soberanias em zonas particularizadas, com limites justapostos e nenhum centro universal de competência, sempre havia permitido a existência de entidades corporativas "alógenas" em seus interstícios. (p.144)

Qual a necessidade disso? Agora imagine ler 280 paginas escritas desse jeito!

Além disso, o autor não sabe fazer parágrafo. Parágrafos que se estendem por três páginas são comuns em sua obra. Essa falta de interupções na leitura torna o texto ainda mais denso e cansativo. Sem falar que, a utilização de subtítulos e divisões internas nos capítulos favoreceria a organização e facilitaria futuras consultas, ajudando no acesso à informação, que é o propósito final de todo livro!

Sua obra é desorganizada e há vários capítulos em que é difícil compreender qual é a mensagem que o autor está tentando transmitir. Somos soterrados por uma infinidade de dados que muitas vezes não parecem servir para defender nenhum argumento. Suas ideias simplesmente não são comunicadas com clareza.

Há uma frase muito famosa de Albert Einstein que deve sempre ser usada para avaliar a qualidade de um professor ou escritor: "Se você não pode explicar algo de forma simples, então você não entendeu suficientemente bem." A famosa Técnica Feynman de estudo é baseada justamente nesse princípio.


Sobre as divisões dos períodos

Aqui no Brasil nós costumamos dividir a história medieval em dois períodos: Alta Idade Média (476-1066) e Baixa Idade Média (1066-1453). Mas nessa obra, Perry Anderson usa uma divisão diferente. Os europeus as vezes fazem a separação do medievo em três períodos: Idade Média Inicial (476-1000), Alta Idade Média (1000-1250) e Idade Média final (1250-1500).

Nessa obra, toda vez que Anderson fala de Idade Média, ele quer dizer a Idade Média Inicial (476-1000). E quando ele fala de Alta Idade Média, ele está falando do período 1000-1250. Eu sei, é confuso. Infelizmente a tradutora da obra não estava consciente dessa questão e por isso os termos ficaram assim mesmo. Levei um tempo para entender porque isso não fazia sentido.

Quer mais informações sobre a obra?

Se você tiver mais interesse nessa obra e quiser informações detalhadas de cada um dos capítulos, leia as minhas anotações de leitura. O link para acessá-las está acima dessa resenha.

Resenha publicada em 19/07/2020.

Perry Anderson

Francis Rory Peregrine Anderson nasceu em 1938 em Londres. É um historiador e ensaísta político marxista, professor de História e Sociologia na UCLA e editor da New Left Review. É irmão do historiador Benedict Anderson. Também é autor do livro "Linhagens do Estado Absolutista".

Historiador(a)

Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 33 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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