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Alexandre o Grande

Livros > Grécia Antiga  |  1,1 mil visualizações

Capa do livro Alexandre o Grande, de Philip Freeman
Autor: Philip Freeman
Título original: Alexander the Great
Páginas: 384
Editora: Amarilys
Ano da edição: 2016
Idioma: Português
Skoob: Acessar

Sinopse:

Alexandre difundiu a cultura grega por todos os territórios conquistados. Como prova do poder de sua figura imponente e carismática, o império construído por ele começou a ruir pouco tempo depois de sua morte, dividido por violentas disputas de sucessão. Mas Alexandre, o Grande, já havia deixado sua marca na história, como poucos fizeram. Sua vida é habilmente narrada pelo historiador Philip Freeman nesta biografia, escrita com precisão acadêmica e de leitura saborosa como um grande romance de aventuras.


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Análise do livro

FREEMAN, Philip. Alexandre o Grande. Barueri: Amarilys, 2016.

Essa obra de Philip Freeman é um biografia do líder macedônio que conquistou boa parte do mundo conhecido no século 4 a.C. E já adianto, tratasse de um livro excelente!

As vezes eu fico tão focado em ler obras mais complexas, por um desejo grande de aprender e realmente ser capaz de entender o período histórico que estou estudando, que me esqueço do imenso prazer que é ler um livro de História despretensioso, que se foca apenas em contar os eventos e descrever a mentalidade e o comportamento das grandes figuras do passado.

Há realmente grandes personalidades como Alexandre o Grande, Julio César, Napoleão e muitos outros que exercem um fascínio nos estudantes de História, por suas grandes conquistas e vidas conturbadas. De vez em quando vale a pena, deixar o lado acadêmico de lado e apenas se divertir assistindo as vidas desses vultos conforme elas vão sendo descritas, especialmente se o escritor é tão talentoso quanto esse.

Freeman ocasionalmente cita fontes antigas, especialmente quando elas se contradizem, mas na maior parte do tempo preza pela beleza e fluidez do texto.

A leitura da obra é extremamente agradável e isso, somado a vida louca de Alexandre, tornam o livro muito interessante. A obra traz muitos detalhes sobre a vida desse personagem que eu ainda não tinha visto em minhas leituras, se aprofundando bastante no período que vai do seu nascimento até a sua morte aos 32 anos.

O autor também destaca na introdução o reinado de Filipe II, pai de Alexandre, e todas as grandes inovações militares e administrativas que foram adotadas por ele, e que permitiram que Alexandre assumisse aos 20 anos o comando do melhor exército do mundo.

Se você quer conhecer a história de Alexandre o Grande esse é o livro para isso!

Embora o autor seja um grande fã desse personagem histórico, ele não deixa de destacar os abusos, violências e, porque não dizer, genocídios levados a cabo por Alexandre e por seu exército durante as conquistas.

Além de descrever a vida e as motivações do personagem central, o autor também faz descrições bastante profundas das campanhas e da própria guerra, sem entrar em detalhes chatos como descrições de batalhas e táticas militares, mas dando destaque para o caráter humano e mostrando a guerra de um ponto de vista mais amplo. É realmente fascinante!

O livro apresenta alguns bons mapas (confira abaixo) e também uma galeria de fotos que fornece uma boa referência visual do período. A obra chama a atenção por apresentar poucas datas ao longo do texto, para compensar isso o autor colocou uma Linha do Tempo no início da obra.

Nos próximos dias postarei aqui no site uma análise do filme Alexandre (2004), que será baseada principalmente nessa obra.

Eu fiz a leitura da obra em uma versão digital do livro para Kindle, por isso que não há muitas fotos acima. Abaixo você confere o índice da obra:

Índice da obra na versão para Kindle.

A obra apresenta dois mapas, que podem ser muito úteis para quem está estudando a história de Alexandre o Grande, disponibilizo ambos abaixo:

O Mundo Egeu.

O Império de Alexandre.

Resenha publicada em 20/06/2019.

Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 33 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

Trechos interessantes da obra

Como os macedônios viam os gregos
(...) viam os gregos como indivíduos fracos, afeminados, esnobes arrogantes que há muito haviam perdido qualquer traço da masculinidade e da coragem que possuíam quando expulsaram os invasores persas mais de um século antes. A nobreza macedônia podia até estudar filosofia grega e recitar a poesia de Homero, mas o soldado macedônio comum tinha orgulho de não ser grego. (FREEMAN, p.15)

Reformas militares de Tebas
Os tebanos aperfeiçoaram a arte da guerra hoplita. Cada hoplita era um cidadão orgulhoso capaz de bancar o próprio equipamento, que consistia em um capacete de bronze, um protetor peitoral grosso, caneleiras para  proteger as pernas, e uma lança de ponta de ferro com cerca de três metros de comprimento utilizada para ataque, não lançamento à distância. Além disso, cada homem carregava uma espada de lâmina  afiada e um escudo pesado (hoplon) de quase um metro de largura no braço esquerdo. Como cada hoplita estava sem escudo do lado direito, ele dependia do homem ao seu lado para se proteger, encorajando por necessidade um forte senso de unidade durante a batalha. Quando uma linha hoplita avançava ombro a ombro contra o inimigo era como uma muralha da morte. (FREEMAN, p.21)

O Bando Sagrado Tebano
Os hoplitas tebanos treinavam sem parar e, fossem soldados ou nobres cavaleiros, eram governados por uma disciplina férrea. Os melhores guerreiros tebanos eram escolhidos para serem membros do Bando Sagrado, um  corpo de elite de infantaria formado por 150 casais de amantes financiados pelo Estado. Por serem amantes, os  soldados lutavam ainda mais furiosamente para impressionar e proteger seus parceiros. Eles foram cruciais para a derrota dos espartanos em Leuctra, provando ser os melhores soldados que a Grécia já produziu. (FREEMAN, p.21)

As reformas de Filipe
As lanças padrão dos hoplitas tinham em média três metros de comprimento, mas a sarissa tinha quase cinco metros e meio. Isso permitia que a infantaria macedônia marchasse em formação justa com as sarissas sobrepostas para atingir os hoplitas antes que as lanças inimigas conseguissem atingi-los. Claro, a eficácia da sarissa dependia da disciplina dos macedônios em agir como uma unidade. Mesmo se apenas um homem mexesse sua sarissa muito para a direita ou para a esquerda, toda a linha poderia se emaranhar desastrosamente. Mas o controle da sarissa foi possibilitado pela eliminação das armaduras e armas pesadas, o que fez com que os soldados macedônios a pé, ao contrário de seus oponentes gregos ou bárbaros, pudessem usar as duas mãos para segurá-las e apontá-las com efeitos mortais. Os macedônios treinavam com suas longas lanças a uma precisão tal que logo conseguiam virar juntos para qualquer direção, abrir e fechar suas linhas em um instante e atacar o inimigo com velocidade assustadora. A sarissa foi feita para destruir os hoplitas, mas a formação mortal funcionava igualmente bem contra guerreiros bárbaros que atacavam as linhas macedônias. (FREEMAN, p.23)

Propaganda Macedônia
Alexandre era um mestre de propaganda na guerra. Ele ordenava que seus soldados não pilhassem fazendas e vilarejos próximos – isso seria estúpido, já que em breve tudo seria deles. Isso era uma política que comprovadamente nutria a boa-vontade entre os habitantes de territórios hostis, mas Alexandre espertamente acrescentava que eles deveriam tomar um cuidado especial para não danificar as propriedades do general persa de origem grega Memnon, de Rodes. O rei sabia que rapidamente se espalharia entre os sátrapas persas a notícia de que as propriedades de Memnon estavam sendo tratadas com respeito – como se o general estivesse apoiando os macedônios em segredo. Isso foi uma inspirada estratégia psicológica que em breve daria frutos. (FREEMAN, p.92)

Sobre a morte de Alexandre
Ele pode ter sofrido de malária por anos, no mínimo desde seu colapso no rio Tarso, pouco antes da batalha de Isso. Ele escapara à morte uma dúzia de vezes desde então, sofrendo ferimentos e doenças que teriam derrubado qualquer outro homem. Sua luta interminável com a disenteria e o problema do pulmão, perfurado na cidade de Malli, na Índia, podem ter enfraquecido sua resistência à doença. Some-se a isso a pura exaustão de doze longos anos de marchas através de pântanos e montanhas, mais as bebedeiras esperadas de qualquer rei macedônio, e é um espanto que Alexandre tenha vivido tanto. Se a causa mortis não foi malária, infecção pulmonar ou falência do fígado, outra possibilidade seria a febre tifóide, dados os sintomas de dor abdominal e febre alta em seus últimos dias. (FREEMAN, p.355)

Alexandre e a contribuição para a expansão do cristianismo
(...) pode-se dizer que, sem as conquistas do rei macedônio, a religião cristã teria permanecido como um fenômeno local. (FREEMAN, p.364)

Philip Freeman

Philip Freeman é professor de Clássicos desde 2004, concentrando-se nos tópicos do curso de Mitologia Clássica, Cultura Romana Antiga, Grécia e Roma no Cinema, bem como no Latim Elementar, Intermediário e Avançado. Ele é o autor de quinze livros sobre o mundo antigo para leitores acadêmicos e gerais.

Historiador(a)

Mais livros sobre Alexandre o Grande

John Warry

As Campanhas de Alexandre 334-232 a.C.

Plutarco

Alexandre e César

Dennis Wepmann

Os Grandes Líderes - Alexandre o Grande

Pierre Briant

Alexandre, o Grande

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