Busque no site
Conteúdos dos capítulos do livro
1 mil visualizações | 0 comentário(s)
Autor: Francisco Botelho, Laura Ferrazza de Lima
Coleção: Guerras do Brasil.doc
Páginas: 224
Editora: HarperCollins
Ano da edição: 2021
Idioma: Português
“Em linguagem atraente e precisa, os autores fazem competente análise do processo político-militar e dos personagens da maior guerra travada pelo Brasil” - Francisco Doratioto, historiador.
Guerra do Paraguai é um mergulho em um dos maiores e mais famosos conflitos da história da América Latina. O escritor e jornalista José Francisco Botelho e a historiadora Laura Ferrazza de Lima desvendam interesses, personagens e conjunturas por trás dessa guerra, que, desencadeada por questões políticas complexas e agravada pelo ego de grandes líderes, foi levada a cabo por uma imensa parcela da população: de oficiais de alto escalão a soldados amadores e recém-listados. De mulheres que acompanharam seus maridos a crianças descalças. Ao conhecer os lados mais humanos e desumanos dos principais personagens, sentimo-nos diante de uma verdadeira saga, com direito a sangrentos jogos de poder, excêntricas negociações, condições de combate inacreditáveis de tão miseráveis.
Baseado na série documental Guerras do Brasil.doc, veiculada na Netflix, este poderia ser um livro de fantasia, se não fosse sobre a morte real de 370 mil pessoas, entre militares e civis brasileiros, argentinos, uruguaios e, é claro, paraguaios.
José Francisco Botelho nasceu em Bagé, em 1980. É jornalista, escritor, tradutor, crítico de literatura e cinema, havendo colaborado com diversos veículos de circulação nacional. É autor de diversas obras de ficção, além de ser especialista em tradução de poesia. Como tradutor, recebeu dois troféus Jabuti: um por sua tradução de "Contos da Cantuária" (Companhia das Letras) em 2014, e outro por sua tradução de "Romeu e Julieta", de William Shakespeare, em 2017. Também traduziu "Júlio César", de Shakespeare, assim como obras de Bram Stoker, Arthur Conan Doyle e vários outros autores, para diversas editoras brasileiras. Botelho vive atualmente em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Laura Ferrazza de Lima é pós doutora em História pela UFRGS. Doutora em História pela PUC-RS com estágio doutoral na Universidade Paris I - Sorbonne, na área de História da Arte. Sua tese de doutorado foi sobre a relação entre a obra do pintor francês Antoine Watteau (1684-1721) e a moda. É colunista do blog de cultura do jornal O Estado de São Paulo: "O Estado da Arte", onde escreve sobre história das imagens, história da arte, história da moda, cinema e história.
Botelho, José Francisco e LIMA, Laura Ferrazza de. Guerra do Paraguai: vidas, personagens e destinos no maior conflito da América do Sul. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2021.
O livro Guerra do Paraguai, de José Francisco Botelho e Laura Ferrazza de Lima, propõe uma abordagem narrativa do maior conflito militar da história do Brasil e da América do Sul, ocorrido entre 1864 e 1870. Em vez de privilegiar uma análise estrutural ou interpretativa da guerra, os autores optam por reconstruir os acontecimentos a partir das experiências individuais de personagens que participaram diretamente do conflito, utilizando, sobretudo, fontes primárias.
A obra se organiza de forma cronológica, mas cada capítulo é centrado em uma figura histórica específica — como Elisa Lynch, Dionísio Cerqueira, Bartolomeu Mitre e Benjamin Constant — cujos relatos servem como fio condutor para a narrativa dos eventos. Essa escolha confere unidade ao texto e permite acompanhar a guerra sob diferentes perspectivas, desde os momentos iniciais da invasão do Mato Grosso até a morte de Solano López em Cerro Corá.
O principal mérito do livro está justamente nesse foco nas vivências individuais. Ao privilegiar diários, memórias e testemunhos, os autores conseguem construir uma narrativa que humaniza o conflito, aproximando o leitor da realidade cotidiana da guerra. A experiência dos soldados, os deslocamentos, as dificuldades e os episódios vividos no front ganham destaque, tornando o relato mais vívido e envolvente do que em abordagens estritamente militares ou estratégicas. Nesse sentido, trata-se de uma obra fortemente narrativa, que se destaca pela fluidez e pela capacidade de imersão.
Por outro lado, essa mesma opção metodológica implica algumas limitações. O livro se afasta dos grandes debates historiográficos sobre a Guerra do Paraguai, não se aprofundando nas causas do conflito nem em questões externas ao teatro de operações. Temas recorrentes na historiografia, como a possível influência da Inglaterra, são completamente ignorados. Além disso, ao concentrar-se no front principal, a obra deixa de lado episódios importantes, como a campanha de Taunay em Laguna, que possui uma das descrições mais conhecidas e detalhadas da guerra. Essas escolhas indicam uma intenção clara dos autores: menos interpretar o conflito e mais recontá-lo a partir de seus protagonistas.
Ainda assim, o equilíbrio entre a atenção aos grandes personagens — líderes políticos e militares — e a valorização da experiência dos combatentes comuns é um dos pontos fortes do livro. Essa combinação permite uma visão ampla, mas ao mesmo tempo concreta e sensível do conflito, sem perder o ritmo narrativo.
Em termos de estilo, trata-se de uma obra extremamente bem escrita, com leitura agradável e acessível. A narrativa flui com naturalidade, mantendo o interesse do leitor mesmo ao tratar de eventos já conhecidos. Pelo seu enfoque e execução, é, até o momento, uma das obras mais interessantes sobre a Guerra do Paraguai que tive contato, especialmente por conseguir transmitir de forma tão vívida a experiência humana da guerra.
Os capítulos do livro e seu conteúdo:
1 - A rainha do Paraguai
Sobre Elisa Lynch, mulher de Solano López. Foca no período que vai da viagem de Solano à Europa até o início da guerra.
2 - Um padre francês na invasão do Brasil
Sobre o cônego João Pedro Gay. Mostra a fase inicial do conflito com os ataques paraguaios ao Mato Grosso e, especialmente, o Rio Grande do Sul. Destaque para São Borja e Uruguaiana. A batalha de Riachuelo é comentada em duas páginas apenas.
3 - Um baiano na invasão do Paraguai
Sobre Dionísio Cerqueira e sua obra sobre a guerra. A marcha do exército aliado por Corrientes até o período de imobilidade logo após a primeira batalha de Tuiuti.
4 - Dom Bartolo em Iataití-Corá
Sobre Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina na época. A chegada do 2º Corpo do exército, o ataque a Curuzu, a entrevista entre Mitre e Solano López e a desastrosa batalha de Curupaiti. A crise na Argentina e a saída de Mitre do conflito.
5 - O homem que odiava Caxias
Sobre Benjamin Constant. Sobre a chegada de Caxias e a reorganização do exército.
6 - Dionísio Cerqueira e o flagelo do Paraguai
Sobre Dionísio Cerqueira de novo. O início das movimentações após a reorganização do exército. A tomada de Humaitá. Os julgamentos de San Fernando. A manobra de Caxias para evitar Angostura. A batalha de Itororó. A batalha de Avaí. A tomada de Assunção e a saída de Caxias. Conde d'Eu assume o comando. Ataque a Peribebuí. Batalha de Campo Grande.
7 - O homem que matou Solano López
Sobre Chico Diabo, que teria matado Solano. A fuga de Solano após Campo Grande e a resistência em Cerro Corá. A morte de Solano López.
Guerra do Paraguai também está disponível para download na Library Genesis. Fotos da obra podem ser conferidas no site e as minhas anotações de leitura podem ser conferidas nas abas laterais.
Resenha escrita em 14/05/2026.
Moacir tem 39 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.